
O uso da inteligência artificial já integra a rotina corporativa no Brasil de forma expressiva. Segundo estudo da IBM, cerca de 41% das empresas no país já utilizam IA ativamente, enquanto levantamento da McKinsey & Company aponta que mais de 50% das organizações globais adotaram a tecnologia em pelo menos uma área de negócio. Para além do avanço no uso da ferramenta, o Órbi ICT, em Belo Horizonte, tem investido na formação de talentos qualificados e com visão crítica para gerar valor a partir da IA. O objetivo é capacitar times capazes de compreender o que está por trás dela.
A proposta parte de um diagnóstico claro: a simples adoção de soluções tecnológicas não garante resultados. “É preciso desenvolver conhecimento sobre como os modelos funcionam, seus limites e suas aplicações práticas dentro de cada contexto organizacional. O que o Órbi está fazendo é nichar a aplicação da IA de acordo com a empresa. Quando falamos de IA Generativa, a inteligência, pela primeira vez em nossa historia, também pode vir da tecnologia, não só de quem a opera. Conhecer os modelos por dentro importa mais do que dominar as ferramentas que os embalam”, explicou Sabrina Moreira de Oliveira, PhD em matemática computacional e diretora de Educação do Órbi ICT, durante o IA Summit, em Belo Horizonte.
Segundo ela, essa personalização é um dos pilares da formação. Em vez de treinamentos genéricos, os programas são desenhados a partir das necessidades específicas de cada setor, como engenharia civil, direito e saúde, e já começam a se expandir para áreas como transição energética e recursos humanos. A ideia é conectar a tecnologia aos desafios reais enfrentados pelas organizações.
Esse modelo também considera variáveis como estrutura, custo, risco e retorno sobre investimento, que são fatores críticos em projetos de inteligência artificial. “Não é só a questão de usar uma ferramenta, igual usamos o Excel. É preciso entender o que está por trás dela, justamente por causa dessa cognição, que não é 100%. Ela tem falhas, e é necessário entender onde estão elas, que se alteram todos os dias”, disse Sabrina.
O alerta ganha peso em um cenário em que empresas de tecnologia operam com modelos cada vez mais complexos e, muitas vezes, pouco transparentes. Sem domínio sobre essas variáveis, organizações correm o risco de se tornarem dependentes de soluções que não compreendem plenamente – o que pode comprometer decisões e resultados.
Abordagem Órbi ICT
Para enfrentar esse desafio, o Órbi aposta em uma abordagem que combina formação técnica com aplicação prática e visão estratégica. Os programas são estruturados para diferentes níveis hierárquicos e adaptados conforme o papel de cada profissional dentro da empresa. “O treinamento do diretor é completamente diferente do treinamento do gerente, que é diferente do treinamento do analista. E, ao mesmo tempo, esse treinamento é feito de forma transversal, juntando desenvolvimento humano, tecnologia e negócio”, destacou Sabrina.
Essa integração entre áreas é considerada essencial para que a inteligência artificial seja incorporada de forma consistente. A conexão com desenvolvimento humano contribui para a construção de cultura organizacional, enquanto o alinhamento com tecnologia garante viabilidade técnica e o vínculo com o negócio assegura geração de valor.
Outro ponto central dessa abordagem é o reconhecimento de que a adoção da inteligência artificial não começa por projetos complexos, mas por soluções mais simples e direcionadas. A partir desses primeiros avanços, as empresas constroem maturidade, desenvolvem cultura e criam condições para aplicações mais estratégicas.
Ao mesmo tempo, a evolução da IA amplia as possibilidades de personalização, tanto nos negócios quanto na educação. Sistemas inteligentes já permitem adaptar conteúdos e decisões em escala, respeitando contextos individuais, o que reforça a necessidade de modelos de capacitação igualmente flexíveis.
Iniciativas como a do Órbi também ganham relevância ao promover espaços de discussão qualificada sobre o tema e conectar diferentes atores do ecossistema de inovação. A proposta é formar profissionais que não apenas operem sistemas, mas que consigam interpretar, questionar e liderar o uso da inteligência artificial dentro das organizações.
A partir dessa perspectiva, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a se consolidar como um ativo estratégico, desde que acompanhada de conhecimento, governança e visão crítica.
Fonte: "site:itatiaia.com.br "Belo Horizonte"" – Google Notícias























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