
Em março de 2026, a Prefeitura de Belo Horizonte começou a convocar 300 pessoas em situação de rua para ingressar no Programa Bolsa Moradia, benefício voltado ao custeio de aluguel e ao apoio à saída das ruas com acompanhamento técnico da rede municipal.
A iniciativa faz parte do projeto Viver de Novo, anunciado pela administração municipal em dezembro de 2025, e reúne ações de moradia, assistência social, saúde, trabalho e reconstrução de autonomia para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Segundo a Prefeitura, 50 pessoas já haviam iniciado o processo de entrada no programa naquele mês, com entrega de documentação e autorização para procurar imóveis que possam ser alugados com apoio do benefício.
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Com a medida, o acesso a uma casa passa a ser tratado como etapa concreta de reorganização da vida, sem limitar o atendimento público ao acolhimento emergencial em unidades coletivas.
Como funciona o Bolsa Moradia em Belo Horizonte
Operado pela Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte, a Urbel, o Bolsa Moradia funciona como um auxílio destinado ao pagamento de aluguel para pessoas e famílias selecionadas dentro dos critérios definidos pelo município.

No atendimento à população em situação de rua, a seleção e o acompanhamento envolvem a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, responsável por conduzir a habilitação dos indicados pela rede pública.
Para acessar o benefício, é preciso morar em Belo Horizonte há pelo menos dois anos, estar inscrito no Cadastro Único como pessoa em situação de rua e ser acompanhado por serviços municipais voltados a esse público.
Além desses requisitos, equipes técnicas avaliam a capacidade mínima de administrar o benefício e a moradia, condição considerada necessária para que a pessoa consiga manter a rotina em um imóvel alugado.
Critérios de prioridade na convocação
A convocação não segue ordem aleatória, pois os nomes foram ranqueados pela Prefeitura conforme critérios de vulnerabilidade, com prioridade para situações consideradas mais sensíveis pelos serviços municipais que acompanham a população em situação de rua.
Esse levantamento reúne informações de equipes que já atendem pessoas e famílias na capital mineira, o que permite identificar trajetórias marcadas por maior exposição a riscos sociais e violações de direitos.
Entre os grupos priorizados estão pessoas idosas, mulheres, pessoas com deficiência, famílias com crianças e adolescentes, além de pessoas pretas, pardas e indígenas, conforme os critérios divulgados pela administração municipal.
Também receberam maior pontuação famílias expostas a trabalho infantil, exploração sexual de crianças e adolescentes, violência doméstica, ameaça e conflito territorial, situações que ampliam a urgência do atendimento habitacional.
Moradia entra como ponto de partida
Ao adotar uma lógica centrada na moradia, a política se aproxima de modelos que tratam o endereço fixo como ponto inicial para acesso a outras políticas públicas, e não como resultado final de um longo percurso.
Ter um espaço privado, proteção mínima para pertences e estabilidade de endereço pode facilitar a busca por documentos, atendimento de saúde, renda, vínculos familiares e oportunidades de trabalho.
Dentro do Viver de Novo, a moradia aparece integrada a outras frentes de atendimento, em uma estratégia que combina acolhimento qualificado, atendimento humanizado, acesso à moradia digna, qualificação profissional e inclusão produtiva.
A permanência nas ruas costuma envolver obstáculos acumulados, como falta de documentos, baixa renda, rompimento de vínculos familiares, problemas de saúde, ausência de trabalho formal e exposição cotidiana a violências.
Por essa razão, a entrada no Bolsa Moradia é apresentada como parte de um processo acompanhado por equipes técnicas, e não apenas como a transferência de um valor para pagamento de aluguel.
Rede municipal fez os encaminhamentos
Assista o vídeo
Os encaminhamentos para as vagas partiram de unidades de acolhimento institucional, Centros de Referência para População em Situação de Rua, Centros de Referência Especializados de Assistência Social e Serviço Especializado de Abordagem Social.
Também participaram equipes do Consultório na Rua, Centro de Referência LGBT, Casa LGBT e Centro de Referência de Triagem para Catadores Autônomos, serviços que acompanham diferentes perfis de vulnerabilidade em Belo Horizonte.
Nesta etapa, foram indicadas pessoas já atendidas pela rede municipal, porque o acesso ao benefício depende de avaliação técnica dos critérios estabelecidos e do acompanhamento prévio de cada caso.
Com esse desenho, a Prefeitura busca evitar uma seleção genérica e concentrar as primeiras convocações em situações nas quais os serviços públicos já conhecem a trajetória e as necessidades dos candidatos.
Alternativa entre acolhimento e moradia permanente
A política não substitui abrigos, centros de referência e ações de abordagem social, mas cria uma alternativa para pessoas que reúnem condições de administrar uma moradia com suporte profissional.
Na prática, o programa atua em uma faixa intermediária entre a permanência nas ruas, o acolhimento institucional e soluções habitacionais definitivas, ampliando as opções de atendimento disponíveis na capital mineira.
Famílias com crianças e adolescentes aparecem entre os públicos priorizados, o que reforça a relevância social da medida em casos com maior exposição cotidiana a riscos.
Para esses núcleos familiares, acessar um imóvel alugado pode reduzir vulnerabilidades associadas à rua e permitir uma rotina mais próxima de uma casa convencional, com endereço fixo e maior proteção.
Moradia Cidadã e expansão do atendimento
A iniciativa se conecta ao projeto Moradia Cidadã, apresentado pela Prefeitura como uma experiência baseada na metodologia Moradia Primeiro, que coloca a habitação como base para reorganização da vida e acesso a serviços públicos.
O projeto prevê atendimento a 100 indivíduos e famílias em diferentes arranjos, com prioridade para grupos de maior vulnerabilidade, como famílias com crianças, adolescentes e gestantes, pessoas em processo de envelhecimento e egressos do sistema prisional.
Além do acesso à moradia, o Moradia Cidadã inclui acompanhamento especializado por equipe interdisciplinar, apoio para mobiliário e auxílio em despesas como água e energia elétrica.
A proposta é criar condições para que a entrada em um imóvel represente mais do que uma mudança de endereço, funcionando como etapa acompanhada de reorganização social.
Segundo a Prefeitura, o Bolsa Moradia terá 300 novas vagas por ano e poderá chegar ao fim de 2027 com cerca de 1,5 mil beneficiários, dentro da expansão planejada nas ações do Viver de Novo.
O processo de seleção deve continuar priorizando pessoas com maior vulnerabilidade e capacidade mínima de gerir o benefício, conforme avaliação técnica da rede municipal.
Em Belo Horizonte, a ampliação do aluguel social para a população em situação de rua reforça um debate presente em grandes cidades brasileiras sobre como enfrentar a permanência de pessoas em calçadas, praças e viadutos sem limitar a resposta pública a medidas emergenciais.
Na capital mineira, a estratégia combina benefício habitacional, seleção técnica e acompanhamento contínuo para organizar uma saída mais estruturada da situação de rua.
Fonte: ""Belo Horizonte"" – Google Notícias























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